ENCICLOPÉDIA · MORACEAE · ÁSIA TROPICAL

Figueira-de-jardim

Ficus microcarpa · Ficus-retusa, Laurel-da-índia

VERBETE COM FONTE. 9 seções, 19 fontes citadas e calendário para o clima quente seco e clima subtropical. O texto vem de literatura geral.

O QUE É1,4,9

É a espécie mais cultivada como bonsai no mundo, e com razão: é uma árvore forte, que aceita erro. Brota com facilidade, engrossa rápido, cicatriza bem e rebrota de galho velho, o que permite refazer uma copa inteira. Quem está começando quase sempre começa por uma figueira, e quase sempre está certo.

Costuma ser vendida com o nome de Ficus retusa, mas o que se compra com esse nome quase sempre é o microcarpa. O tiger, de casca rajada, é uma variedade dela.

O que ela tem de mais próprio está na raiz e na casca. Solta raiz aérea quando o ar está úmido, e é isso que abre os estilos de raiz exposta e de raiz sobre pedra. E partes vivas que ficam encostadas e presas uma na outra se soldam, o que permite fundir troncos, enxertar galho onde falta e fechar ferida.

Todo corte solta um látex branco. Ele irrita a pele, pior ainda ao sol, e escorre com mais força quando a árvore está em pleno crescimento, por isso vale trabalhar de luva.

A figueira não dorme de verdade: no frio ela desacelera e troca parte das folhas, mas continua crescendo devagar. Por isso quem decide a hora de podar, desfolhar ou transplantar é a árvore, e não o calendário: o que se lê é se ela está forte e crescendo.

CALENDÁRIO DE MANEJO

Calibrado para o clima quente seco, com chuva no verão e seca no inverno: a estação de crescimento vai de setembro a maio e o repouso é por seca, não por frio. Os meses foram feitos sobre o Centro-Oeste e o cerrado.

Destas janelas, 9 de 10 vêm do padrão desta casa para a região, e não de fonte sobre esta espécie.

JFMAMJJASOND
Adubação sólida
Adubação líquida
Transplante
Poda drástica
Poda de manutenção
Desfolha

Como se faz: transplante · poda · desfolha

janela abertaleve, só se a árvore pedirfora de época

LUZ, ÁGUA E SUBSTRATO1,4,8

Sol pleno. No sol a folha fica pequena, o entrenó, que é o trecho de galho entre duas folhas, fica curto, e a copa fecha. Na sombra acontece o contrário: folha grande, galho comprido, os galhos de dentro secam, os cortes demoram a cicatrizar e a árvore fica mais exposta a praga. Ela aguenta ambiente interno perto de uma janela bem clara, mas ali se mantém viva, não se forma como bonsai. A exceção é o sol muito forte num calor extremo, que chega a queimar a folha: nessas condições, meia-sombra nas horas mais quentes.

A figueira aguenta passar um tempo com o substrato seco e aguenta mal ficar com ele encharcado, que é o que apodrece a raiz. Quem protege a raiz é um substrato que drena bem: pouca matéria orgânica, de um quinto a um terço do total, misturada a material que não se desfaz, como pedrisco e areia grossa. Substrato que vira barro, ou terra pura, faz raiz ruim.

ADUBAÇÃO1,4,12,14

A figueira pede adubo com constância, e responde muito bem ao orgânico, como a torta de mamona e o bokashi. A regra é adubar enquanto ela cresce, e isso inclui o frio se ela continuar brotando, só que em dose menor. Com a árvore parada, o adubo não é aproveitado e acaba estragando no substrato.

A dose depende da fase. Na formação, quando se quer tronco e galho grossos, aduba-se com força. Na árvore já formada, a mão fica leve e de preferência orgânica, porque adubo forte, e sobretudo nitrogênio em excesso, faz a folha crescer e o entrenó alongar, e desmancha a copa compacta que levou anos para fechar.

Depois do transplante, o adubo espera a árvore firmar, coisa de dez a vinte dias. Depois de uma desfolha feita para reduzir a folha, espera as folhas novas amadurecerem, senão elas nascem grandes.

A árvore mostra quando falta: as folhas da ponta ficam mais claras e menores, e a brotação enfraquece. Já a folha velha que amarela e cai enquanto as pontas brotam bem é troca de folha, e não fome.

PODA E ARAMAÇÃO1,5,8,10,13,15,18

A poda de manutenção se faz com a árvore crescendo. Deixa-se o ramo alongar até umas seis a oito folhas e volta-se para duas, ou três quando os entrenós são curtos. Depois do corte, a rebrota costuma aparecer em duas a três semanas, e muitas vezes saem vários brotos do mesmo ponto: escolhem-se um ou dois e tiram-se os outros, senão o galho engrossa ali e forma caroço.

A figueira tem uma reação que a separa de quase todas as outras árvores: galho que fica sem nenhuma folha na ponta recolhe a seiva e seca. Por isso o corte deixa o toco um pouco mais comprido do que o desejado, e o excesso se tira depois que a brotação sair. E o corte que deixa um galho pelado só se faz em madeira já madura, marrom e da grossura de uma caneta, com os pontinhos claros das gemas à vista. Galho verde, sem gema, cortado assim seca inteiro.

O corte grande de estilização pede árvore forte e em crescimento. No frio ela responde devagar e pode perder galho, e o corte espera o calor. Ferida grande leva pasta cicatrizante, passada depois que o látex parou de escorrer.

A desfolha funciona muito bem na figueira, com três condições. A árvore tem de estar formada, em fase de refinamento, forte e em pleno crescimento: em muda é tempo perdido, porque é a folha que faz a muda crescer, e em árvore fraca ou no frio a brotação vem fraca. A folha se corta deixando um pedaço, e um quarto dela já basta: é esse pedaço que mantém a ponta viva e segura a seiva no ramo. E as pontas dos ramos se cortam junto, senão ela brota só na ponta. A copa costuma se refazer em umas três semanas, e a desfolha seguinte espera a árvore repor as forças.

A aramação se faz com a árvore forte, com arame de alumínio, o mais usado nas tropicais. O galho da figueira é flexível, e o limite da dobra aparece quando o látex começa a sair. Depois de desfolhar, espera-se o látex secar, de um dia para o outro, antes de aramar. Numa árvore fraca, espera-se ela se recuperar antes do arame.

O arame marca rápido, porque a figueira engrossa rápido, e o que manda tirar é a marca, não um prazo. No calor, com a árvore brotando forte, ele pode começar a entrar em uma ou duas semanas; num ritmo normal fica de um mês a um mês e meio; no frio demora mais. Só o arame que marcou precisa sair. Marca leve some quando o galho engrossa, e marca que chegou à madeira fica. Tira-se desenrolando e segurando o galho logo abaixo, porque arame girado arranca casca, e na aramação seguinte o arame passa por fora do sulco antigo. O galho aramado costuma soltar brotos ao longo dele: tiram-se os que nascem no pé do galho e deixam-se os que apontam para a frente.

TRANSPLANTE E RAÍZES1,4,8,11

A melhor hora é o começo da estação de crescimento, quando a árvore começa a brotar, e ela se recupera rápido. Árvore forte aceita também o calor. No frio ela sobrevive ao transplante, mas não retoma, e a troca de vaso espera o tempo esquentar.

A raiz da figueira é das mais tolerantes que existem: aguenta corte forte, e árvore forte volta mesmo de uma raiz bem reduzida. Raiz que gira em volta do vaso se corta. Das raízes aéreas, ficam só as que servem ao desenho: raiz grossa deixada à vontade rouba força e desequilibra o tronco.

O intervalo é curto, porque a raiz cresce muito. A árvore jovem pode ir para vaso novo todo ano, e a formada, a cada dois ou três anos. O sinal de que passou da hora é a água custar a entrar no vaso, com o torrão tomado de raiz.

Ela aceita desfolha no mesmo dia do transplante, e isso até ajuda, porque perde menos água pelas folhas enquanto a raiz se refaz. Nos primeiros dias depois, fica em meia-sombra, e volta ao sol quando brotar. Se a árvore vai levar um corte grande de estilização e uma troca de vaso, o corte vem primeiro e a raiz espera a árvore responder.

PROPAGAÇÃO1,6,9,16

É das árvores mais fáceis de multiplicar. A estaca pega com facilidade num ramo já maduro, em substrato que drena bem, com ou sem hormônio de enraizamento, e pega melhor com calor e a árvore crescendo. Leva uns dois ou três meses até poder ser mexida.

A alporquia, que faz o galho enraizar ainda preso à árvore, é o caminho de quem quer um tronco grosso mais depressa. Faz-se com a árvore em crescimento, e a raiz costuma aparecer entre um e quatro meses. Alporque tirado tarde demais amarela a folhagem.

A figueira também se multiplica por soldagem. Dois ramos vivos encostados e presos um ao outro se fundem, e isso permite enxertar um galho onde falta e juntar várias mudas num tronco só. A amarração tem de ser firme sem estrangular, e a soldagem tem seu tempo: um enxerto de galho pode pegar em poucos meses, uma fusão de troncos grossos leva anos. O sinal de que pegou é o ponto soldado ficar mais grosso que o trecho acima dele.

A raiz aérea também se induz. Ela precisa de umidade quase total e de sombra no ponto, o que se consegue com musgo esfagno ou pano úmido envolto em plástico. Leva meses, e depois de chegar ao substrato ela engrossa e endurece rápido.

PRAGAS E PROBLEMAS2,4

A praga que mais ataca a figueira é o tripes, também chamado lacerdinha. A folha enrola e dobra sobre si mesma, aparecem pontinhos pretos no verso, e dentro da dobra estão os insetos. Tiram-se as folhas atacadas, que vão para o lixo em saco fechado, e o tratamento com inseticida se repete por algumas semanas, porque uma aplicação só não alcança os que ainda vão nascer.

Mosca-branca e cochonilha também aparecem, e a cochonilha gosta de se esconder nas raízes aéreas. A fumagina, a camada preta que cobre a folha, é sinal de pulgão ou cochonilha por perto: trata-se a praga, e a mancha vai junto. Ácaro, lagarta, ferrugem e nematoide, um verme da raiz que faz a folha secar como se faltasse água, completam a lista.

Praga pega mais em figueira fraca e na sombra, e tratar a praga sem corrigir a causa só adia o problema.

Uma mudança assusta e não é doença: a figueira troca folha. A folha velha amarela e cai enquanto as pontas brotam bem, sobretudo quando o tempo esfria. O sinal de problema é a folha nova amarelar e a brotação enfraquecer.

ERROS COMUNS1,7,10,13,17

Desfolhar cortando a folha inteira no pecíolo, o cabinho que prende a folha ao galho, é o erro que mais faz figueira perder galho. Ramo que fica sem nenhuma folha na ponta recolhe a seiva e seca, às vezes por dentro da copa. Na desfolha, corta-se a folha deixando um pedaço, e um quarto dela basta para manter o ramo vivo.

Desfolhar muda para diminuir a folha é tempo perdido. A muda cresce pela folha, e desfolhá-la atrasa o engrossamento que se quer. A folha diminui com a árvore já formada, com sol, vaso menor e adubo na medida.

Formar figueira na sombra ou dentro de casa dá folha grande, galho comprido e galho de dentro seco. A árvore sobrevive, mas não vira bonsai. Ela pede sol pleno.

Esquecer o arame vira cicatriz em poucas semanas, porque a figueira engrossa rápido e engole o arame. O galho aramado se olha com frequência, e o arame sai na primeira marca.

Cortar rente demais, ou cortar galho verde deixando-o sem folha, faz o toco secar. Deixa-se o toco um pouco mais comprido, para rebaixar depois da brotação, e o corte que deixa o galho sem folha só se faz em madeira madura, com as gemas à vista.

Deixar vários brotos saírem do mesmo ponto forma caroço e engrossa o galho no lugar errado. Depois de cada poda, acompanha-se a brotação e escolhem-se um ou dois brotos.

Adubar forte a árvore já formada desmancha a copa, porque a folha cresce e o entrenó alonga. Adubo forte é da fase de formação.

Deixar o substrato encharcado apodrece a raiz. A figueira aguenta secar um pouco, e o que a protege é um substrato que drena bem.

Tratar o benjamina como se fosse o microcarpa custa galho. O benjamina seca galho com muito mais facilidade: aceita a desfolha, mas sempre deixando um pedaço de cada folha, só com a árvore forte, protegida nos dias seguintes e sem arame logo depois.

NO SEU CLIMA1,3

A figueira gosta de calor e cresce o ano inteiro onde não esfria. Quando o tempo esfria, ela desacelera, troca parte das folhas, e alguns raminhos finos podem morrer, o que é normal. Nessa fase se faz pouco: a poda se limita a algum broto comprido, e o corte grande, a desfolha e o transplante esperam o calor voltar.

Geada queima a copa, e vaso pequeno e úmido no frio machuca a raiz. Onde gear, a figueira fica protegida do frio e do vento frio. No calor muito forte, com sol que queima a folha, ela fica em meia-sombra nas horas mais quentes.

FONTES

  1. 1.Bonsai Pedro Bessa, Ficha de espécie: Ficus
  2. 2.Diogo Snyguer, Bonsai Sul de Minas (Nepomuceno, MG), Ficus atacado por tripes, como combater... · vídeo
  3. 3.Diogo Snyguer, Bonsai Sul de Minas (Nepomuceno, MG), Estações do Ano - Inverno · vídeo
  4. 4.Diogo Snyguer, Bonsai Sul de Minas (Nepomuceno, MG), FICUS - Aula sobre a espécie · vídeo
  5. 5.Diogo Snyguer, Bonsai Sul de Minas (Nepomuceno, MG), Desfolha em Fícus (dica da espécie) · vídeo
  6. 6.Diogo Snyguer, Bonsai Sul de Minas (Nepomuceno, MG), Alporquia dica de como fazer (fícus retusa) · vídeo
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  8. 8.Fabiano Costa, Como Fazer Bonsai, FIGUEIRAS NO BONSAI | Como Fazer Bonsai · vídeo
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