ENCICLOPÉDIA · CUPRESSACEAE · JAPÃO

Junípero-rasteiro

Juniperus procumbens · Juníperu

VERBETE COM FONTE. 9 seções, 4 fontes citadas e calendário para o clima quente seco. O texto vem de literatura geral.

O QUE É2,3

A conífera mais usada em bonsai no mundo, e provavelmente a primeira árvore de muita gente. Vem das montanhas do sul do Japão, é rasteira por natureza, e é ela que aparece nas fotos clássicas de tronco torcido com madeira morta esbranquiçada contra folhagem verde-azulada.

O que faz dela a conífera de entrada não é ser fácil: é aguentar. Ela suporta aramação pesada, suporta trabalho de madeira morta (o jin e o shari, galho e tronco descascados até a lenha), e suporta ser trabalhada por anos até chegar à forma. Em troca, cresce devagar, o que significa que tanto o acerto quanto o erro demoram a aparecer.

E tem um limite que vale saber antes de comprar: é árvore de inverno fresco. No calor forte o ano inteiro ela vive pela resistência, e não por gostar.

CALENDÁRIO DE MANEJO

Calibrado para o clima quente seco, com chuva no verão e seca no inverno: a estação de crescimento vai de setembro a maio e o repouso é por seca, não por frio. Os meses foram feitos sobre o Centro-Oeste e o cerrado. No clima subtropical, onde o inverno é de verdade, as janelas mudam.

JFMAMJJASOND
Adubação sólida
Adubação líquida
Transplante
Poda drástica
Poda de manutenção

Como se faz: transplante · poda

janela abertaleve, só se a árvore pedirfora de época

LUZ, ÁGUA E SUBSTRATO1,2,3

Sol pleno, ao ar livre. À sombra o junípero estica, perde a folhagem interna e deixa de fechar a copa. Só o exemplar jovem ou recém-transplantado pede proteção, e mesmo assim é proteção do excesso de sol, não sombra.

A água é onde ele mais sofre, e o que o protege é o substrato, não uma rotina. O junípero não perdoa raiz encharcada: umidade constante, sobretudo com a árvore parada no frio, favorece fungo e apodrece a raiz. A morte por afogamento em conífera é lenta e silenciosa, porque a folhagem só muda de cor quando a raiz já se foi. Por isso o substrato tem de ser muito drenante, daqueles que não deixam água parada no vaso.

Uma mudança de aparência que assusta iniciante: em tempo frio a folhagem acastanha ou arroxeia, e volta ao verde quando esquenta. É defesa contra o frio, não doença.

ADUBAÇÃO1,2,4

A intensidade do adubo depende da fase em que a árvore está. Na formação, quando o objetivo é engrossar o tronco e encher a copa, aduba-se com força e com constância ao longo de toda a estação de crescimento. O junípero aguenta bem, e é o adubo farto que faz a madeira engordar e a folhagem preencher os vãos. Nessa fase, o crescimento comprido que o adubo puxa não atrapalha: é a matéria-prima com que se monta a estrutura.

No refinamento, a mão muda. Com adubo demais, o junípero também alonga: solta brotos compridos e perde a folhagem compacta, que é justamente o que se quer numa árvore formada. Por isso, na árvore pronta, aduba-se de forma contida e com pouco nitrogênio.

O começo e o fim da estação de crescimento são as épocas que mais rendem, e no fim da estação a adubação pode ser mais generosa, porque é ali que a árvore guarda força para o ano seguinte. No calor forte e no frio, desacelera-se, sem parar de todo.

Depois de um transplante é outro caso: segura-se o adubo até a árvore voltar a crescer de forma estável, o que costuma levar uns dois meses, e volta-se com dose leve, porque adubo não apressa uma raiz que ainda não está trabalhando. Depois de uma poda forte de estrutura, sem mexer na raiz, há quem volte a adubar pesado já na estação seguinte, para a árvore recuperar força.

PODA E ARAMAÇÃO1,2,3,4

A regra que separa o junípero cuidado do junípero queimado é uma só: não se corta a folhagem com tesoura. Desponta-se o broto novo com a pinça, ou com as próprias unhas, ao longo da estação de crescimento. Agulha cortada pela metade seca na ponta e fica marrom, e o efeito só aparece dias depois, quando já não há o que desfazer. A tesoura entra só por dentro da folhagem, para tirar um raminho inteiro rente à base.

Quando a estilização pede um corte grande, ele tem hora: no começo da estação de crescimento, antes de a brotação empurrar, ou depois que o broto novo endureceu. Enquanto a árvore está brotando, não se faz corte grande. A folhagem interna morta se limpa no fim do inverno, o que abre luz para o que está por dentro. O junípero responde forte ao corte e rebrota até de dentro do tronco, mas há dois limites: o topo não se corta inteiro, porque ele seca, e a árvore não se reduz demais numa sessão só, porque aí ela responde brotando em excesso e perde a forma.

A aramação se faz na dormência, do fim do outono ao fim do inverno, e nunca em árvore fraca, doente ou recém-transplantada: numa árvore assim, espera-se ela se recuperar, o que costuma levar uns seis meses. O junípero pede pouco arame. Ele passa entre as agulhas, sem esmagá-las, e numa árvore já formada basta uma volta por tufo de folhagem.

O arame fica bem mais tempo do que numa árvore de folha larga, porque a conífera engrossa devagar: de seis meses a um ano, e às vezes mais de um ano num galho fino que demora a firmar. A hora de tirar é quando o arame começa a marcar a casca, e antes disso o galho ainda volta para onde estava. No junípero, um pouco de marca não é defeito: é o sinal de que o arame firmou o galho, e ela some na casca áspera com uma ou duas estações de crescimento. Na árvore jovem o arame morde mais rápido, e ela também cicatriza mais rápido. Há até quem deixe o arame cravar de propósito, para engrossar um tronco jovem ou para aproveitar a cravada como começo de um shari, a faixa de madeira morta descascada no tronco. O limite é não deixar afundar demais: arame que passa do ponto enfraquece o galho, deixa caroço e pode estrangulá-lo. Costuma marcar primeiro perto do tronco: tira-se ali e deixa-se o resto trabalhando. Arame que já afundou se corta em pedaços curtos para sair, e nunca se desenrola.

TRANSPLANTE E RAÍZES1,2,4

Fim de inverno para início de primavera.

O intervalo varia com a idade: de dois em dois anos para árvore jovem, de três em três para exemplar feito. Numa árvore já estabelecida no vaso, corta-se de um terço a metade das raízes, eliminando as mais velhas e grossas. Na primeira ida ao vaso, mexe-se pouco: tira-se a raiz podre, preserva-se a raiz grossa que está sadia, e não se troca todo o substrato de uma vez.

E há um cuidado que é só de conífera: NUNCA lavar as raízes do junípero. A raiz dele vive associada a fungos benéficos no torrão, e lavar desfaz isso. Pela mesma razão, depois do transplante a árvore deve ser protegida e ter a folhagem borrifada constantemente por até três semanas, enquanto a raiz cortada ainda não dá conta de repor água.

PROPAGAÇÃO2

Por estaca, o caminho mais usado. Semente é possível e demorada, e não é caminho de quem quer bonsai.

PRAGAS E PROBLEMAS1,3

O problema número um do junípero não é praga, é raiz: excesso de água e substrato pouco drenante. O segundo é fungo, favorecido por umidade constante quando a árvore está parada no frio.

Cochonilha e ácaro aparecem em conífera de bonsai, especialmente em árvore mantida em ar parado e com pouca luz, que é a mesma condição que a enfraquece. Contra o ácaro, um jato de água na copa e a calda sulfocálcica resolvem. Uma árvore de junípero no sol, ventilada e com dreno funcionando raramente dá trabalho de praga.

Um sinal que assusta e não é problema: as agulhas velhas que amarelam na base dos galhos. A árvore as descarta sozinha, e basta tirá-las. Já a folhagem que muda de cor fora do frio é alarme de verdade, e geralmente já se passaram semanas do problema real. Conífera não avisa cedo.

ERROS COMUNS1,2

Cultivar dentro de casa é o erro que mais mata junípero. Sem sol direto e sem vento, a árvore vai perdendo força devagar, ao longo de meses, e por isso quase ninguém liga a causa ao efeito: quando a folhagem finalmente muda de cor, o estrago já aconteceu. O junípero é árvore de fora e precisa viver ao ar livre, no sol.

Cortar a folhagem com tesoura corta as agulhas ao meio, e a ponta cortada seca e fica marrom até a árvore brotar de novo naquele ponto. O dano só aparece alguns dias depois, quando já não há o que desfazer. Para encurtar, o certo é despontar o broto novo: segure-o entre dois dedos e tire a ponta com a unha ou com uma pinça, sem cortar as agulhas que ficam.

Esquecer o arame na árvore é o que mais estraga galho já formado. Um pouco de marca é normal e até ajuda a firmar o galho, mas o arame esquecido continua afundando à medida que o galho engrossa: a casca fecha por cima e, quando se percebe, o galho ficou fraco, cheio de caroço ou estrangulado. Vale anotar a data em que a árvore foi aramada e olhar os galhos de tempos em tempos, tirando o arame assim que ele começar a marcar.

Deixar a raiz encharcada é o que mais apodrece junípero, e é um erro silencioso: a raiz morre por falta de ar muito antes de a folhagem mostrar qualquer sinal, porque conífera não avisa cedo. O que protege a raiz é um substrato muito drenante, que não deixa água parada no vaso.

Lavar a raiz no transplante parece capricho, mas é dano. A raiz do junípero vive associada a fungos benéficos que moram no torrão, e lavar desfaz essa parceria justamente quando a árvore mais precisa dela. No transplante, corta-se o que for preciso e mantém-se a terra que fica presa às raízes.

Comprar esperando crescimento rápido frustra, porque o junípero cresce devagar por natureza. Tanto o acerto quanto o erro demoram a aparecer, e quem quer ver resultado numa só temporada vai achar que nada acontece. Ele recompensa quem trabalha a árvore ao longo de anos.

NO SEU CLIMA1,2,4

Prefere inverno fresco. Em lugar de calor forte o ano inteiro ela se adapta pela resistência, e não por preferir esse clima. Ali, sol pleno com boa ventilação e um substrato que drene muito bem fazem ainda mais diferença, porque ela não perdoa água parada na raiz.

FONTES

  1. 1.Bonsai Borússia (Osório, RS), Juníperos
  2. 2.Bonsai Fox (viveiro), Bonsai de Junípero Procumbens
  3. 3.Bonsai Empire (edição traduzida), Orientações de cuidados para bonsai de Junípero (Juniperus, Shimpaku)
  4. 4.Bonsai do Campo (Porto Amazonas, PR), Manual de cuidados básicos

QUEM CULTIVA

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