ENCICLOPÉDIA · FABACEAE · CERRADO, SERTÃO E LITORAL DO NORDESTE, BRASIL

Tamboril dumosum

Pithecellobium dumosum · Dumosum, Jacaré, Jurema, Tataré

VERBETE COM FONTE. 9 seções, 4 fontes citadas e calendário para o clima quente seco. O texto vem de literatura geral.

O QUE É1,2,3

Nativa do cerrado, do sertão e do litoral do Nordeste, hoje classificada como Chloroleucon dumosum. É a irmã espinhosa do piteco de restinga, e a que mais se encontra no Planalto Central.

O tronco se retorce e ganha cor clara com a casca descamando, a folha composta é miúda, e a flor abre em pompom branco de tons amarelados, parecida com a da caliandra, seguida de vagem.

Os espinhos nos galhos são a marca da espécie e pedem cuidado no trabalho. Quem quer exemplar de pouco espinho propaga por estaca semi-lenhosa, porque a semente não mantém a característica.

Importante: Confusão de nomes, registrada de propósito: as fontes brasileiras misturam os nomes populares dos dois Pithecellobium sem critério. "Jurema", "piteco" e "tataré" aparecem para as duas espécies, e uma fonte chama de "jurema branca" uma planta que ela mesma diz ser Chloroleucon tortum. NOME POPULAR NÃO DISTINGUE as duas no Brasil. O que separa de verdade: esta TEM espinho e é a do cerrado; o tortum é de restinga e Mata Atlântica e tem variedade sem espinho.

CALENDÁRIO DE MANEJO

Calibrado para o clima quente seco, com chuva no verão e seca no inverno: a estação de crescimento vai de setembro a maio e o repouso é por seca, não por frio. Os meses foram feitos sobre o Centro-Oeste e o cerrado. No clima subtropical, onde o inverno é de verdade, as janelas mudam.

Destas janelas, 2 de 9 vêm do padrão desta casa para a região, e não de fonte sobre esta espécie.

JFMAMJJASOND
Adubação sólida
Adubação líquida
Transplante
Poda drástica
Poda de manutenção

Como se faz: transplante · poda

janela abertaleve, só se a árvore pedirfora de época

LUZ, ÁGUA E SUBSTRATO1

Sol, e de preferência lugar aberto: dentro de casa ela definha.

A rega se acompanha todo dia, sentindo o substrato, e não por horário.

Suporta o calor e a seca do cerrado melhor que quase tudo nesta enciclopédia, porque é daqui. Geada ela não suporta, e a orientação é "proteger das geadas em clima frio", sem temperatura, então esta ficha também não dá.

ADUBAÇÃO1

Uma ou duas vezes por mês, em quantidade baixa, durante a estação de crescimento.

A dose importa: pede-se QUANTIDADE BAIXA, não dose cheia com frequência baixa. São coisas diferentes, e a segunda queima raiz.

Na seca de junho a agosto a árvore desacelera, e a adubação líquida entra leve. Não porque alguma fonte mande adubar na seca, mas porque nenhuma manda parar, e leve é o lado conservador entre parar e continuar.

PODA E ARAMAÇÃO1

Podas leves de manutenção sempre que necessário, ao longo da estação de crescimento.

Poda drástica para modelagem, posta no início da estação de crescimento, que é quando a árvore tem a temporada inteira pela frente para responder.

Luva. Os espinhos desta espécie não são decorativos.

Atenção: A desfolha de verão descrita para o gênero é do TORTUM, e não desta, e desfolha é a técnica que mais castiga a árvore quando aplicada à espécie errada.

TRANSPLANTE E RAÍZES1,4

A cada um ou dois anos, no fim do inverno para o início da primavera.

A época vem de uma fonte brasileira geral de bonsai, e não da espécie: ela ancora o transplante no fim do inverno e começo da primavera do hemisfério sul, que aqui é agosto e setembro. A cadência de um a dois anos, essa sim, é da ficha da espécie.

PROPAGAÇÃO3

Por semente e por estaca semi-lenhosa.

Importante: E a escolha entre as duas não é indiferente: a estaca semi-lenhosa MANTÉM a característica de pouco espinho, e a semente NÃO mantém. Quem compra semente esperando exemplar sem espinho vai receber uma planta espinhosa, e só descobre anos depois.

PRAGAS E PROBLEMAS1

Cultivada dentro de casa ela definha devagar, e é o problema mais comum. Muita gente a leva para dentro justamente por causa dos espinhos.

Adubo forte queima raiz: pede-se quantidade baixa.

Geada mata. É a única condição marcada como fatal.

ERROS COMUNS1,3

Cultivar dentro de casa por causa dos espinhos e perder a planta devagar.

Adubar forte. Pede-se quantidade baixa, uma ou duas vezes por mês, e não dose cheia.

Comprar semente esperando exemplar sem espinho, que a semente não entrega.

Confundir com o tortum pelo nome popular. São duas espécies, e o nome não separa.

NO SEU CLIMA2

Nota: A espécie é NATIVA do cerrado: o dumosum é a variedade mais comum no cerrado, no sertão e no litoral do Nordeste.

No cerrado, a seca de junho a agosto é o repouso natural dela, o calor de setembro é o gatilho de brotação, e a chuva de outubro a março é a temporada de crescimento que ela evoluiu para usar.

Para quem cultiva no clima quente seco e quer uma nativa que não vai brigar com o clima, é esta.

FONTES

  1. 1.Bonsai Fox (viveiro), Pré-bonsai de Pithecolobium var. dumosum
  2. 2.Marlon Machado, no fórum iBonsai Club, Brazilian Rain Tree, different species
  3. 3.Árvores Ornamentais, Jurema branca
  4. 4.Bonsai do Campo (Porto Amazonas, PR), Manual de cuidados básicos

QUEM CULTIVA

Ainda não há nenhuma no Tokonoma. Se você cultiva, pode ser a primeira.