ENCICLOPÉDIA · FABACEAE · BRASIL E URUGUAI
Caliandra
Calliandra brevipes · Esponjinha, Topete-de-cardeal
VERBETE COM FONTE. 7 seções, 4 fontes citadas e calendário para o clima quente seco. O texto vem de literatura geral.
O QUE É1,4
Nativa do Brasil e do Uruguai, e uma das espécies mais cultivadas como bonsai no país. A explicação está em três coisas que raramente vêm juntas: folhagem densa e delicada, floração espetacular, e uma resistência que perdoa quase tudo.
A folha é composta e miúda, e fecha à noite, o movimento que os botânicos chamam de nictinastia. A flor é um pompom rosa e branco que parece uma esponjinha, e é dela que vem o apelido. O caule ramifica muito, o que é matéria-prima de graça para quem quer copa densa.
Cresce rápido e responde bem a poda frequente, e é por isso que ela aparece em tanta bancada de quem está começando.
CALENDÁRIO DE MANEJO
Calibrado para o clima quente seco, com chuva no verão e seca no inverno: a estação de crescimento vai de setembro a maio e o repouso é por seca, não por frio. Os meses foram feitos sobre o Centro-Oeste e o cerrado. No clima subtropical, onde o inverno é de verdade, as janelas mudam.
Destas janelas, 8 de 9 vêm do padrão desta casa para a região, e não de fonte sobre esta espécie.
Como se faz: transplante · poda
LUZ, ÁGUA E SUBSTRATO1,4
Precisa de bastante sol, no mínimo quatro horas de sol direto por dia, e sem isso a folhagem rareia e a flor não vem. Só que existe uma ressalva importante e específica dela: na primavera, quando a folhagem nova ainda está frágil, e no verão, quando a intensidade do sol é muito alta, vale proteger das horas de sol mais forte. A folha dela queima com facilidade.
A rega é o ponto de atenção. Na primavera, com a árvore em crescimento máximo, ela consome muita água, e a recomendação é conferir duas vezes por dia. Com o passar dos meses o consumo cai, e no repouso a rega vai para uma vez a cada um ou dois dias, ou quando a superfície secar.
A caliandra gosta de solo mais alcalino, o que a diferencia de quase tudo nesta enciclopédia: mais caco de telha e pedrisco na mistura, menos casca de pinus e terra preta.
ADUBAÇÃO1
Aqui a dose importa mais que a frequência, e o motivo é físico: a folhagem dela é muito frágil, e adubo em excesso resseca a folha. Mão leve.
A preferência é por orgânicos ricos em fósforo, aplicados como líquido foliar ou sólido no substrato. Em formulação química, a indicação é 04-14-08, com o fósforo bem acima do nitrogênio, porque é ele que sustenta a floração.
PODA E ARAMAÇÃO1,2,3
A técnica é clara e vale decorar: deixa-se o galho crescer até cinco ou seis pares de folhas e corta-se deixando apenas os dois primeiros. A parte de cima da copa se poda com mais intensidade, para empurrar a brotação para baixo e não acabar com uma árvore que só tem folha na ponta.
Importante: A poda de formação trabalha a ENERGIA da árvore. A vara longa é crescimento apical forte, e continua sendo a mais forte enquanto ninguém a cortar: poda-se trazendo cada vara de volta à PRIMEIRA BIFURCAÇÃO desde a última poda, e é isso que distribui a força pela copa. Onde não se quer bifurcação, faz-se a TROCA: corta-se a vara forte logo acima de um galho de crescimento menor, e ele assume o lugar dela.
Na parte mais forte da árvore a poda pode ser meio drástica, e fica mais longa onde o toco vai virar jin.
Essa poda não tem época fixa, nem conta de meses desde a anterior: quem decide é a observação da planta. Bonsaísta de Nepomuceno, no sul de Minas, poda as ponteiras no inverno quando a caliandra segue crescendo, para ramificar e começar a compactar a copa, e aconselha quem ainda está começando, sem costume nem material formado, a deixar a planta crescer nesse período.
Vale deixar o interior da copa arejado e a parte de fora com espaço para a luz passar, senão a brotação interna seca e a compactação futura fica impossível.
Sobre aramação, há orientação brasileira para o gênero, e ela interessa muito aqui: o que desaconselha o arame não é o mês, é o ESTADO da planta: com o fluxo de seiva reduzido, o galho fica quebradiço e estala na dobra. Esse estado aparece descrito como o inverno dela, e aqui ele pode chegar pela seca em vez do frio. Quem avisa é a planta, não o calendário. E um alerta prático: ela cresce tão rápido que o arame encrava depressa, às vezes em um mês e meio.
TRANSPLANTE E RAÍZES1,3
A cada dois anos, na primavera, que é quando ela se recupera mais rápido. Em Nepomuceno, no sul de Minas, a caliandra que vai para vaso de evolução é transplantada em agosto ou setembro. Substrato bem drenante e mais alcalino, com boa proporção de caco de telha e pedrisco.
PRAGAS E PROBLEMAS1
Não encontrei fonte que descreva praga específica desta espécie. Os problemas descritos são de manejo: folha ressecada por excesso de adubo, folhagem rala por falta de sol, e galho quebrado por aramação em época errada.
ERROS COMUNS1
Adubar com a mão pesada e ressecar a folha. Deixar em sombra e perder a densidade e a flor junto. Expor a folhagem nova da primavera ao sol mais forte. Deixar crescer sem pinçar e perder a ramificação fina. Esquecer o arame, que nesta espécie encrava em semanas. Aramar no repouso, quando o galho está quebradiço.
FONTES
- 1.Nipon Bonsai Blog, Calliandra: espécies e seus cuidados
- 2.Diogo Snyguer, Bonsai Sul de Minas (Nepomuceno, MG), Caliandra - Dicas de PODA e DISTRIBUIÇÃO de energia · vídeo
- 3.Diogo Snyguer, Bonsai Sul de Minas (Nepomuceno, MG), Podas de inverno - Bonsai de Caliandra · vídeo
- 4.Flores Coloridas, Caliandra rosa: aprenda como cuidar dessa espécie
QUEM CULTIVA
Ainda não há nenhuma no Tokonoma. Se você cultiva, pode ser a primeira.