ENCICLOPÉDIA

Pinheiro-negro

Pinus thunbergii · 1 no Tokonoma do Nebari

VERBETE COM FONTE. 8 seções, 28 fontes citadas e calendário para o clima quente seco e clima subtropical. O texto vem de literatura geral.

Pinheiro-negro

O QUE É2,4,10,16

O pinheiro-negro japonês, o kuromatsu, é provavelmente a árvore que a maioria das pessoas associa a bonsai antes de conhecer qualquer outra. A agulha é reta, dura e verde-escura, e sai aos pares.

É uma árvore de litoral, que cresce no sol, no vento e perto do mar, e é forte, difícil de matar. A casca começa a rachar depois de alguns anos e, com a idade, abre em placas, até o tronco maduro parecer pedra rachada.

Uma limitação decide todo o trabalho com ele: o pinheiro-negro não brota de madeira velha. O broto novo nasce onde há agulha, e um galho cortado num trecho sem agulha não volta. Por isso a estrutura se constrói cedo, e o trabalho do dia a dia é com a vela, o broto novo que sai em forma de vela, e com a agulha. Manter a árvore viva é fácil; o que pede estudo é essa técnica, que tem hora certa ao longo do ano.

CALENDÁRIO DE MANEJO

Calibrado para o clima quente seco, com chuva no verão e seca no inverno: a estação de crescimento vai de setembro a maio e o repouso é por seca, não por frio. Os meses foram feitos sobre o Centro-Oeste e o cerrado.

JFMAMJJASOND
Aramação

Como se faz: aramação

janela abertaleve, só se a árvore pedirfora de época

LUZ, ÁGUA E SUBSTRATO2,3,9,15,18

Sol pleno e vento. É o sol que mantém a árvore forte, e na sombra ela enfraquece e atrai praga. Não é árvore de ficar dentro de casa.

A raiz não tolera ficar encharcada, e a árvore também sofre quando o vaso seca por completo. Quem segura esse equilíbrio é o substrato: mineral e drenante, feito de grãos que não se desfazem, com pouca matéria orgânica e um pouco de carvão.

ADUBAÇÃO2,5,11

O pinheiro-negro gosta de adubo, e muito, desde que na hora certa. A regra acompanha o ciclo da vela.

Do começo da primavera até o corte de vela, adubo forte, porque é essa força que a árvore vai gastar para soltar a segunda brotação. Depois do corte, o adubo sai e só volta quando a segunda brotação endurecer: adubar nesse meio faz o broto novo sair comprido e a agulha longa, que é o contrário do que o corte buscava. Do fim do verão até o frio, adubo de novo, e com generosidade, porque é nessa fase que a árvore forma as gemas do ano seguinte e guarda reserva.

Na árvore em formação, que não vai ter vela cortada, o adubo forte vale a estação inteira de crescimento: é ele que faz o galho e o tronco engrossarem. Árvore fraca ou recém-transplantada recebe adubo só quando voltar a crescer.

PODA E ARAMAÇÃO1,5,6,7,14,15,16,17,18,20,21,22,23,24,25,26,27

O pinheiro-negro só brota onde há agulha. Por isso nenhum corte se faz num trecho de galho sem agulha ou sem broto atrás, e a estrutura se decide cedo, enquanto o galho ainda carrega agulha perto do tronco. Nada disso é desfolha: a agulha nunca sai toda do galho.

O corte de vela, que os japoneses chamam de mekiri, é o gesto que faz o bonsai de pinheiro-negro. Corta-se a vela nova inteira, na base, e a árvore responde com uma segunda brotação, de dois a cinco brotos por ponto, com agulha mais curta e entrenó menor, que é o trecho de galho entre um broto e outro. É assim que se constrói ramificação. A hora é o começo e o meio do verão, depois que a vela alongou e a agulha nova começou a abrir, e antes de ela endurecer. Cortar cedo demais faz a segunda brotação alongar; tarde demais, ela pode não sair a tempo de amadurecer. As árvores grandes vão primeiro e as pequenas depois, para a agulha delas sair mais curta.

O corte de vela tem condições. Só em árvore forte e saudável, e nunca no mesmo ano de um transplante ou de uma aramação pesada. A força da árvore se lê pelo tamanho das velas, e elas não se cortam todas do mesmo jeito: as fracas primeiro, as fortes alguns dias depois, ou tudo no mesmo dia, rente nas fracas e deixando um toquinho nas fortes. Em cada galho fica uma boa quantidade de agulha, por volta de dez pares. E não se corta vela todo ano: de tempos em tempos a árvore passa um ano sem o corte, para descansar.

Quando a segunda brotação firma, perto do começo do outono, faz-se o desbaste dos brotos. O sinal é a bainha na base do broto novo começar a soltar. Onde saíram vários do mesmo ponto, deixam-se dois, de força parecida e de preferência para os lados, e tiram-se os outros: vários galhos saindo do mesmo ponto formam um nó que não se desfaz.

Com a segunda brotação madura, do fim do verão ao inverno, vem a limpeza da agulha velha. Tira-se a agulha mais velha e raleia-se a do ano anterior, mais nas partes fortes e menos nas fracas, até a copa ficar com densidade parecida. É isso que distribui a força pela copa. A agulha se arranca puxando no sentido em que ela cresce, com pinça ou com os dedos, e nunca se tiram todas as agulhas de um galho. A ponta de agulha cortada com tesoura tende a ficar marrom.

A aramação se faz do fim do outono ao inverno, com o crescimento novo já endurecido. A casca grossa aceita um pouco de marca, mas o arame sai antes de estrangular o galho.

⚠️ O que está acima é gesto e fisiologia, e atravessa clima. O momento É DESCRITO, e é estado, não mês: arama-se quando o crescimento novo endureceu. O que falta é outra coisa: fonte de Brasília. Nenhuma fala do pinheiro-negro NO CERRADO, nem do cultivo em tamanho MAME. O mês que o calendário desta ficha mostra vem de outra região, por coerência com as demais atividades da espécie nesta casa, não de fonte local sobre aramação. Quem cultiva assim no Planalto Central está em terreno sem registro.

TRANSPLANTE E RAÍZES2,3,9,18,19

A hora é o fim do inverno ou o começo da primavera, quando a gema de inverno começa a inchar, antes de a vela alongar.

O pinheiro-negro aceita bem o transplante, mas perde menos raiz do que uma árvore de folha larga: corta-se pouca raiz. O miolo de terra embaixo do tronco fica, e o substrato velho se troca aos poucos, em mais de um transplante.

O intervalo cresce com a idade: a árvore jovem vai para vaso novo a cada dois ou três anos, e a formada fica bem mais tempo no mesmo vaso. O sinal de que passou da hora é a água custar a entrar no vaso, com a raiz tomando o torrão.

Depois do transplante a árvore fica no sol, porque raiz aquecida volta a crescer mais depressa. E no ano do transplante não se corta vela.

PRAGAS E PROBLEMAS2,3,8,12

O ácaro é a praga que mais aparece. A agulha fica marrom ou acinzentada, a ponta seca e o galho fica quebradiço, e ele pega mais em árvore fraca. Também aparece o pulgão. Agulha que passa a noite molhada favorece um fungo que mancha e derruba a agulha.

Algumas mudanças parecem doença e não são. No outono a agulha de dois anos amarela e cai, porque a árvore puxa a reserva que estava nela. E a pinha gasta força da árvore, por isso se tira.

ERROS COMUNS1,6,7,16,18

Cortar galho num ponto sem agulha é esperar broto que não vem. O pinheiro-negro não brota de madeira velha, e o galho seca até onde houver agulha. O corte se faz sempre com agulha ou broto atrás.

Cortar vela em árvore fraca, recém-transplantada ou recém-aramada soma um esforço grande a uma árvore que ainda não se recuperou, e ela pode não soltar a segunda brotação. O corte de vela espera a árvore forte, num ano sem transplante nem aramação pesada.

Cortar todas as velas do mesmo jeito deixa a parte forte cada vez mais forte e a fraca cada vez mais fraca. O corte olha a força de cada vela: as fracas primeiro, e as fortes depois ou com um toquinho.

Cortar vela todo ano cansa a árvore. De tempos em tempos ela passa um ano sem o corte.

Adubar logo depois do corte de vela faz a segunda brotação sair comprida e com agulha longa. O adubo volta quando ela endurecer.

Deixar vários brotos saírem do mesmo ponto engrossa o galho ali e forma um nó que não se desfaz. No desbaste, ficam dois brotos por ponto.

Arrancar agulha contra o sentido em que ela cresce machuca o galho. Puxa-se no sentido do crescimento, e nunca todas as agulhas de um galho.

Fazer duas intervenções fortes no mesmo ano, como transplante e estilização pesada, esgota a árvore. Uma de cada vez, com a árvore se recuperando entre elas.

Cortar raiz demais no transplante tira da árvore a força para se refazer. O pinheiro perde menos raiz que uma árvore de folha larga.

Cultivar na sombra, dentro de casa ou em substrato que vira barro enfraquece a árvore aos poucos. Ela pede sol pleno, vento e substrato mineral.

NO SEU CLIMA2,3,4,13

É árvore de sol, calor e vento, de litoral, e não depende de inverno rigoroso. O que ela precisa é de uma estação de crescimento longa o bastante para a segunda brotação amadurecer depois do corte de vela, e onde o verão é longo e quente isso sobra.

FONTES

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