ENCICLOPÉDIA · DIDIEREACEAE · ÁFRICA DO SUL
Jade
Portulacaria afra · Portulacária, Arbusto-do-elefante, Mini-jade
VERBETE COM FONTE. 9 seções, 3 fontes citadas e calendário para o clima quente seco. O texto vem de literatura geral.
O QUE É2
Não é árvore, é suculenta, e é justamente por isso que perdoa quem viaja: guarda água no caule, na folha e até no broto, e aguenta semanas sem rega.
A folha arredondada de até 3 cm lembra moeda, e o caule grosso mistura canela e cinza, engrossando com cara de tronco velho mais rápido do que a maioria das lenhosas. Floresce em rosa nas pontas dos ramos, mas em vaso isso é raro.
Chamam de "jade" tanto ela quanto a Crassula ovata, e são plantas de famílias diferentes. Se você procurar "jade" numa loja, confira o nome científico.
CALENDÁRIO DE MANEJO
Calibrado para o clima quente seco, com chuva no verão e seca no inverno: a estação de crescimento vai de setembro a maio e o repouso é por seca, não por frio. Os meses foram feitos sobre o Centro-Oeste e o cerrado. No clima subtropical, onde o inverno é de verdade, as janelas mudam.
Como se faz: transplante · poda
LUZ, ÁGUA E SUBSTRATO2
Sol pleno e ar circulando: à sombra ela estica e a folha some.
Rega só quando o substrato secar por completo, e menos ainda nos meses frios, porque frio com umidade apodrece a raiz.
Nota: A própria folha avisa, e este é o melhor indicador desta ficha: fina e enrugada é SEDE; gorda e crescendo rápido é ÁGUA DEMAIS.
Substrato muito drenante, com bastante material inorgânico. Ela vive bem em solo pobre.
Tolera de 10 a 16 °C no inverno, e não gosta de geada nem de nada abaixo de 5 °C.
ADUBAÇÃO2
Importante: Esta espécie quebra o padrão da casa, e por fonte brasileira explícita: NÃO SE ADUBA NO OUTONO NEM NO INVERNO. Zero, não "leve".
As outras espécies tropicais desta enciclopédia levam uma adubação líquida leve de junho a agosto. Esta não leva, porque a orientação é parar.
Na primavera e no verão: NPK 10-10-10 líquido uma vez por mês, e bokashi orgânico a cada 90 dias no mesmo período.
PODA E ARAMAÇÃO2,3
Podar os galhinhos no começo da primavera, e controlar os brotos novos ao longo do crescimento.
Importante: Sobre ARAMAR: a casca é sensível e o galho quebra fácil, apesar de parecer flexível. Por isso se usa vareta e tirante em vez de arame grosso. Confiar na flexibilidade aparente é como se quebra um ramo formado.
A época de aramação vem descrita como "meio a fim do verão", e é verão do hemisfério norte.
TRANSPLANTE E RAÍZES1,3
A cada três a cinco anos, no início da primavera.
A janela é setembro-outubro, e não agosto-setembro como no padrão da casa. Duas razões: a espécie só entra em atividade a partir da primavera, e suculenta transplantada no frio seco apodrece.
Importante: E um cuidado que só as fontes de fora registram, mas que é técnica e não calendário: NÃO REGAR POR CINCO DIAS depois do transplante. A raiz cortada de uma suculenta precisa cicatrizar antes de encontrar água, e regar em cima do corte é convite a apodrecer.
PROPAGAÇÃO3
Por estaca, com muita facilidade: é uma das plantas que mais pegam de galho.
PRAGAS E PROBLEMAS2
Raiz podre por excesso de água é o problema número um, e o número dois é o mesmo problema com outro nome: frio com substrato úmido.
Cochonilha aparece, sobretudo em ar parado.
Ramo esticado com folha rala e espaçada não é característica da planta: é falta de luz.
ERROS COMUNS2,3
Regar como se rega bonsai de folha, que é o jeito mais rápido de apodrecer a raiz.
Adubar no outono e no inverno, quando ela está descansando. Aqui a orientação é zero, não pouco.
Aramar confiando na flexibilidade. A casca é sensível e o galho quebra fácil. Vareta e tirante, não arame grosso.
Regar logo depois do transplante. Cinco dias de jejum.
Deixar em sombra e achar que o espaçamento entre as folhas é da planta.
NO SEU CLIMA2
Sul-africana: sol forte, ar seco e solo pobre são a condição de origem dela. No inverno seco só não se aduba, e quase não se rega.
O risco é o verão do cerrado. De outubro a março chove quase todo dia, e uma portulacária deixada na chuva com substrato pouco drenante apodrece pelo colo. Ela pede abrigo justamente quando as nativas pedem água, e essa inversão é a coisa mais importante a entender sobre cultivá-la no cerrado.
FONTES
- 1.Bonsai do Campo (Porto Amazonas, PR), Manual de cuidados básicos
- 2.Casa e Festa Jardinagem, Portulacaria afra: tudo sobre a suculenta
- 3.Mistral Bonsai (Espanha, edição traduzida), Portulacaria afra, ficha técnica
QUEM CULTIVA
Ainda não há nenhuma no Tokonoma. Se você cultiva, pode ser a primeira.