ENCICLOPÉDIA · BIGNONIACEAE · MATA ATLÂNTICA DO SUL, SUDESTE, BAHIA E NORDESTE, BRASIL
Ipê-amarelo
Handroanthus chrysotrichus · Ipê-amarelo-cascudo, Ipê-do-morro, Pau-d'arco-amarelo
VERBETE COM FONTE. 9 seções, 2 fontes citadas e calendário para o clima quente seco. O texto vem de literatura geral.
O QUE É1,2
O ipê-amarelo da Mata Atlântica, e o mais fotografado do Brasil. É árvore da faixa leste, do Sul e Sudeste à Bahia e ao Nordeste, e não do cerrado. A confusão com o ipê-do-cerrado é constante, inclusive nas fontes, porque os dois se chamam "ipê-amarelo" na boca do povo e florescem parecido.
A diferença prática, para quem cultiva: o do cerrado tem tronco mais retorcido e casca mais grossa. Este aqui é mais reto e de casca mais fina, o que significa que o tronco antigo vem de trabalho e não de nascença.
Floresce em agosto e setembro, no auge da estiagem do inverno no Brasil central, com a árvore inteiramente sem folha. É a florada que para o trânsito, e ela acontece tecnicamente no pior momento do ano em água.
Esta ficha tem uma ressalva que vale para tudo abaixo: a única fonte de MANEJO que encontramos nomeia outras espécies de ipê, não esta. O que está escrito aqui é comportamento do GÊNERO em cultivo brasileiro, e está marcado como tal.
CALENDÁRIO DE MANEJO
Calibrado para o clima quente seco, com chuva no verão e seca no inverno: a estação de crescimento vai de setembro a maio e o repouso é por seca, não por frio. Os meses foram feitos sobre o Centro-Oeste e o cerrado. No clima subtropical, onde o inverno é de verdade, as janelas mudam.
Como se faz: transplante · poda
LUZ, ÁGUA E SUBSTRATO1,2
Duas a quatro horas de sol direto por dia, de preferência de manhã, ao ar livre, protegida de geada.
A rega é o gatilho da flor, e essa é a informação central de qualquer ipê: farta na estação chuvosa, cortada com firmeza a partir do outono, folha caindo inteira, e retomada só quando as gemas de flor aparecerem.
A fonte botânica desta espécie confirma o que a de cultivo diz de outra maneira: ela floresce no auge da estiagem, sem folha. Isto é, a seca não atrapalha a florada: ela é a condição dela.
Substrato bem drenante.
ADUBAÇÃO2
Só na primavera e no fim do verão, com adubo rico em fósforo, em metade da dose da embalagem. "Pobreza controlada" é o termo da fonte, e a ideia é que solo rico faz folha e solo pobre faz flor.
Nunca durante o estresse hídrico que você está provocando, e nunca com a árvore em plena floração.
Do gênero, não desta espécie especificamente.
PODA E ARAMAÇÃO2
Tolera poda drástica na copa e na raiz.
A poda de seleção é DEPOIS da floração, e esta é a regra que mais custa caro quando se ignora: como a florada é de agosto e setembro, podar em julho é cortar exatamente os ramos que iam abrir. A condução do crescimento fica para a primavera em diante.
Do gênero, não desta espécie especificamente.
TRANSPLANTE E RAÍZES2
A cada dois anos, de preferência no inverno; admite-se esticar até quatro anos.
Como esta espécie floresce em agosto e setembro, a janela cabe no começo do inverno, antes de as gemas de flor aparecerem. Transplantar em julho é trocar a florada de agosto pelo vaso novo.
Do gênero, não desta espécie especificamente.
PROPAGAÇÃO1
Por semente. O fruto é uma cápsula que se abre e libera semente alada.
PRAGAS E PROBLEMAS2
O problema número um é o mesmo dos outros ipês, e não é praga: árvore saudável que nunca floresce, por rega constante o ano inteiro e adubo demais.
Encharcamento na estação das chuvas, se o dreno falhar.
E a queda total da folha no outono, que assusta quem não conhece a espécie, é o comportamento normal e o começo da florada.
ERROS COMUNS1,2
Regar o ano todo com a mesma mão e nunca ver uma flor.
Adubar forte achando que ajuda. Aqui é o contrário: dose cheia dá folha, meia dose dá flor.
Podar em julho, bem em cima dos ramos que iam abrir em agosto.
Confundir com o ipê-do-cerrado. São espécies diferentes, de biomas diferentes, e quem tem uma não tem a outra.
NO SEU CLIMA1
Ela NÃO é do cerrado: é de Mata Atlântica da faixa leste. Cultivá-la no clima quente seco é cultivar uma espécie fora da área natural dela, e isso é possível e comum.
A floração desta espécie está registrada em agosto e setembro, justamente "no auge da estiagem de inverno no Brasil central".
O que muda em relação à Mata Atlântica é a umidade do ar na seca e a amplitude térmica do inverno, que em Brasília passa de dez graus entre a noite e a tarde.
FONTES
- 1.Biologia da Paisagem, Handroanthus chrysotrichus, ipê-amarelo, 2022
- 2.Bonsais.com.br, Bonsai de Ipê: como cuidar e fazer florescer, 2025
QUEM CULTIVA
Ainda não há nenhuma no Tokonoma. Se você cultiva, pode ser a primeira.