ENCICLOPÉDIA · MALPIGHIACEAE · AMÉRICA CENTRAL E DO SUL
Acerola
Malpighia emarginata · Cereja-das-antilhas
VERBETE COM FONTE. 9 seções, 5 fontes citadas e calendário para o clima quente seco e clima subtropical. O texto vem de literatura geral.
O QUE É1,3,4
Vem das Antilhas, da América Central e do norte da América do Sul, e no Brasil virou coisa de quintal antes de virar bonsai. É arbusto de folha perene com ramificação muito intensa, rústico ao ponto de ter se espalhado por área tropical, subtropical e até semiárida, e é justamente essa teimosia que faz dela uma das melhores frutíferas para quem está começando.
O que ela dá de melhor é o ciclo inteiro em miniatura. A folha é pequena, lustrosa e nasce em quantidade, o que dá massa de copa depressa. A flor é miúda, entre o branco e o rosa, e tem perfume adocicado. E o fruto é vermelho vivo, do tamanho certo para a escala de um bonsai, coisa que quase nenhuma frutífera entrega sem parecer desproporcional. Uma aceroleira carregada é uma árvore pequena com fruta de verdade, não com fruta grande demais pendurada em galho fino.
Escolhe-se acerola por três motivos: ela perdoa, ela ramifica sozinha, e ela frutifica cedo. Em compensação cobra sol e cobra água, e é aí que a maioria erra.
CALENDÁRIO DE MANEJO
Calibrado para o clima quente seco, com chuva no verão e seca no inverno: a estação de crescimento vai de setembro a maio e o repouso é por seca, não por frio. Os meses foram feitos sobre o Centro-Oeste e o cerrado.
Destas janelas, 4 de 8 vêm do padrão desta casa para a região, e não de fonte sobre esta espécie.
Como se faz: transplante · poda
LUZ, ÁGUA E SUBSTRATO3
Sol pleno, de quatro a seis horas de sol direto por dia, e lugar bem ventilado. Flor e fruto dependem disso: em luz fraca ela não para de crescer, mas cresce errado, com ramo longo e fraco, e não produz. Esse ramo esticado é o primeiro sinal de que o lugar está escuro demais. Em calor extremo, uma proteção leve no sol do meio-dia evita a desidratação.
A rega é o assunto principal desta espécie. A aceroleira tem metabolismo rápido, e ainda mais rápido quando está carregada de fruto: o substrato fica sempre úmido e nunca encharcado, e a regra prática é regar com fartura toda vez que a superfície começar a secar. Em dia de verão ou de vento seco, mais de uma vez por dia não é exagero. No calor, molhar também a copa, a folha e o galho ajuda.
O substrato precisa drenar muito bem sem secar num instante, e com pouca matéria orgânica, que segura água demais para o gosto dela. Um detalhe que quase nenhuma outra espécie da enciclopédia tem: a acerola gosta de terra calcária, o contrário do que se faz para azaleia.
ADUBAÇÃO1
Duas coisas mandam aqui: quantidade baixa e época certa. Ela é sensível a adubo em excesso, e mais sensível ainda a adubo na hora errada. Dose pequena, com adubo orgânico rico em fósforo.
Não se aduba durante a floração. Essa é a regra que separa quem colhe de quem só vê flor cair. Para empurrar a frutificação, um pouco de NPK ajuda, sempre na dosagem da embalagem e nunca "um pouco a mais para garantir".
PODA1
A poda de manutenção da acerola é menos sobre silhueta e mais sobre disciplina: cortam-se os brotos novos que aparecem perto da raiz, que roubam força, e os galhos novos que crescem disputando espaço com galhos maiores já formados. Feita com regularidade, ela sozinha mantém a forma.
A poda drástica, de modelagem, é para o início da primavera, quando a árvore tem o ano inteiro pela frente para responder. A ramificação intensa da espécie trabalha a favor: ela volta a fechar copa rápido.
TRANSPLANTE E RAÍZES1
Uma vez por ano, ou a cada dois, no princípio da primavera e depois da floração, que é a ordem certa: transplantar antes tira a florada do ano.
Duas regras da espécie que não valem para as outras da enciclopédia, e que vale decorar: a poda de raiz não passa de 20% do volume, bem menos que o terço habitual, e a raiz nunca se lava. Terra com pouca matéria orgânica, porque ela acumula água, e a acerola gosta de solo calcário.
PROPAGAÇÃO1,4
Semente, estaca de ponteiro, alporquia e enxertia, todas funcionam. Só que há um detalhe que muda o resultado: planta de semente não garante fruto bom. Se o objetivo é colher, muda de procedência conhecida, sabidamente produtora, vale mais que semente barata.
PRAGAS E PROBLEMAS2
Mosca-das-frutas: põe ovo na casca, e a larva murcha o fruto antes de amadurecer, destruindo a polpa por dentro. Fruto que murcha ainda verde é o sinal.
Cochonilha: aparece em folha, ramo e fruto, amarela a folha e trava o crescimento.
Pulgão: ataca flor e fruto em formação, e ao sugar o ramo faz ele murchar e morrer. É o que mais custa colheita.
Ácaro: come a folha, que amarela e cai antes da hora.
Nematoide: não se vê. A planta enfraquece, cresce menos e, quando o ataque aperta, a folha murcha e ela começa a morrer. Raiz é o lugar de olhar.
ERROS COMUNS1,3
Deixar secar na época de fruto, que é justamente quando ela mais bebe, e derrubar flor e fruto de uma vez. Podar durante a floração. Adubar durante a floração, ou adubar em dose cheia achando que ajuda. Transplantar antes de a florada acabar. Cortar mais de 20% da raiz no transplante, ou lavar a raiz. Cultivar em meia-sombra e não entender por que a árvore cresce e não frutifica.
NO SEU CLIMA2
A faixa boa da aceroleira fica entre 15 e 32 °C, e a espécie já se espalhou por região semiárida por conta própria. No clima quente seco, o cuidado é a rega: o ar seco esvazia um vaso raso em poucas horas.
FONTES
- 1.Bonsai Empire Brasil, Bonsai de Acerola (Malpighia glabra)
- 2.CPT Cursos, Principais pragas e doenças da aceroleira
- 3.Orquidário Mogi Mirim, Bonsai de Acerola: guia completo de cultivo e frutificação
- 4.Bonsai Fox, Pré-bonsai de Acerola, ficha da planta
- 5.Associação Bonsai do Rio Grande do Sul (Porto Alegre), Como cuidar do Bonsai durante o ano
QUEM CULTIVA
Ainda não há nenhuma no Tokonoma. Se você cultiva, pode ser a primeira.